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Deuses Americanos – 1ª Temporada [ Crítica Omelete ]

Primeiro ano supera expectativas ao entregar narrativa inteligente e visual primoroso

Quando a HBO, e posteriormente o canal Starz, anunciou a adaptação televisiva de Deuses Americanos, um dos maiores sucessos literários de Neil Gaiman, muita expectativa foi alimentada sobre o novo projeto – aumentando após o anúncio de que Bryan Fuller e Michael Green, além do próprio Gaiman, encabeçariam o time de produtores executivos. Com um episódio de estreia fantástico, o trio mostrou ao que veio e entregou oito capítulos primorosos da trama sobre o ex-presidiário Shadow Moon (Ricky Whittle) e sua descoberta de um mundo fantástico onde divindades e criaturas mitológicas caminham entre mortais.

[Cuidado com spoilers!]

O ponto certeiro do roteiro é criar uma atmosfera de surrealismo em tudo, menos em Shadow. O personagem é o ponto de identificação entre o público e uma história que faz mais perguntas do que entrega respostas. O ex-presidiário está o tempo todo perdido e incrédulo com as coisas fantásticas que se desenrolam naturalmente a sua volta. Shadow questiona a própria sanidade várias vezes, como seria natural, em sua jornada pessoal ainda não tão bem explicada que passa por aceitar o poder do sobrenatural. A excentricidade dos deuses antigos (Peter Stormare como Czernobog, Orlando Jones como Anansi, Chris Obi como Anubis) e a loucura estridente dos novos (Crispin Glover como Mr. World, Bruce Langley como Technical Boy, Gillian Anderson como Media) faz com que Shadow seja uma espécie de Alice no País das Maravilhas, onde de tempos em tempos acaba esbarrando em situações surreais onde só ele – e o espectador – é capaz de reagir a não normalidade do que se apresenta.

Deuses Americanos acertou também ao ser visceral tanto visualmente quanto em relação às temáticas abordadas na trama. Entre os baldes e mais baldes de sangue atirados por todos os lados, a série trouxe um discurso afiado sobre racismo estrutural já no segundo episódio pela voz do excelente Orlando Jones, mostrou a história ao redor da cena de sexo gay simultaneamente erótica e delicada entre um muçulmano e um jinn, interpretados por Omid Abtahi e Mousa Kraish, e colocou em xeque a cultura armamentista norte-americana ao utilizar o tema como pano de fundo de todo o sexto capítulo. A série não teve medo de colocar o dedo em assuntos delicados e em feridas – literalmente inclusive, no caso de Laura Moon – incômodas na sociedade contemporânea, seguindo nessa missão até seu último momento. No episódio de encerramento, a série põe a cereja no topo do bolo ao revelar a história de Bilquis (Yetide Badaki) como uma grande e poderosa metáfora sobre machismo e misoginia.

Ian McShane, melhor atuação dentro do elenco, não poderia ter sido uma escolha melhor para o papel de Wednesday, ou Odin, como revelado no episódio final. O ator teve um desempenho excepcional ao ser uma voz de serenidade capaz de conferir lógica à sequência de acontecimentos surreais que pontuaram a trama do início ao fim. McShane foi capaz de entregar ao público uma divindade ao mesmo tempo cativante e assustadora, alguém que de uma hora para a outra pode se revelar tanto o vilão quanto o mocinho. Outro membro do elenco que se destacou na trama foi Emily Browning. A atriz liderou, ao lado do também ótimo Pablo Schreiber como Mad Sweeney, a trama paralela como Laura Moon. Um dos maiores acertos da adaptação televisiva foi ampliar a trama da personagem no livro, dando espaço para entender a complexidade da esposa morta através de sua própria ótica.

O princípio da série não é algo inédito na ficção: a lógica de que deuses existem enquanto se acredita neles. O tema em Deuses Americanos é uma forma de falar na necessidade humana de crença e de devoção, mostrando que as necessidades básicas mudam de acordo com o avanço dos tempos. As inúmeras versões de Jesus Cristo (sendo o principal deles interpretado por Jeremy Davies) do episódio final mostram que, na série, a necessidade faz o deus.

Deuses Americanos encerra seu primeiro ano sem perder o fôlego ou se tornar minimamente previsível. A temporada inicial mostra Wednesday em sua jornada para reunir o máximo possível de deuses antigos que entrem em sua luta contra os novos. No meio do caminho, a coisa vai ganhando complexidade com a descoberta de que a coisa não é tão dicotômica assim: alguns dos deuses antigos se adaptaram para sobreviver nos tempos modernos e ganham, de certo modo, uma roupagem moderna. Em sua última incursão da temporada, Wednesday e Shadow vão atrás de Ostara (Kristin Chenoweth), divindade pagã relacionada às celebrações durante o equinócio de primavera que se tornou associada à Pascoa no mundo moderno. O episódio entrega a identidade de Wednesday\Odin e deixa o gancho poderoso do encontro de Laura Moon com o velho deus para o próximo ano.

Não é a toa que a série foi renovada para a segunda temporada logo após sua estreia: Deuses Americanos acerta na premissa e na execução. Para o segundo ano, a produção precisará tomar cuidado com alguns excessos gráficos já característicos de Bryan Fuller – é muito fácil ver artifícios visuais de séries como Hannibal, Pushing Daisies e Dead Like Me melhor lapidados em sua nova empreitada – e com o equilíbrio entre quais informações são entregues para o espectador e quais ficam guardadas na manga, para que o mistério não se converta na mais pura confusão. Mantendo o nível do primeiro ano, a série tem todas as ferramentas para se estabelecer como um grande sucesso, arrematando cada vez mais fãs – ou, na linguagem condizente com a série, fiéis.

Nota do crítico (EXCELENTE)

Fonte: Deuses Americanos – 1ª Temporada | Crítica | Omelete

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Publicado em 20/06/2017 por em BláBláBlá.

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