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[ANIMES] ERASED (ou a versão pedófila de Efeito Borboleta)

Erased (Boku dake ga Inai MachiA cidade onde só eu não existo – no Japão) foi o mangá que inspirou o excelente jogo Life is Strange, e apenas por isso já seria o bastante para ter sua atenção. Como esperado, a premissa não é tão diferente assim: Satoru Fujinuma é um cara de 29 anos que tem uma vida bastante bosta trabalhando como motoboy do Pizza Hut, sem amigos e com a vida amorosa de um panda no zoológico da China.

Não seria um sujeito particularmente interessante de se acompanhar suas aventuras, não fosse o fato de que ele tem uma peculiaridade: quando alguma desgraçada acontece ao seu redor ele vê uma borboleta azul, e pode retroceder o tempo em alguns minutos para evitar que aquela tragédia aconteça. O que funciona muito bem para ele, até o dia em que, ao tentar ajudar alguém que foi assassinado, ele acaba como suspeito do crime. Fugindo da polícia e desesperado, ele consegue fazer o tempo voltar para sair dessa roubada… só que ele volta demais, e acaba de volta a quando ele tinha 11 anos na quinta série.

Tome rumo na vida, omê!

Agora a ideia de ter uma criança com a mente e as memórias de um adulto de 29 anos é realmente magnifica se bem executada. O anime, infelizmente, desperta sentimentos mistos nesse quesito.

Veja, o problema é que o anime não parece decidir realmente se Satoru é de fato um adulto com corpo de criança, ou se é só uma criança comum com um adulto narrando seus pensamentos. Em alguns aspectos ele faz isso certo, como a menina que Satoru achava que era “esquisita” quando era criança, mas agora, olhando com os olhos de adulto, fica patentemente óbvio que ela é vitima de abuso doméstico. Esse tipo de coisa é acertada.

Só que, ao mesmo tempo, ele age e pensa exatamente como uma criança da sua idade, tendo vergonha de pegar na mão da coleguinha, por exemplo. Sim, quando você tem 11 anos, segurar a mão de alguém realmente é uma grande coisa, mas como adulto ele já deveria ter passado, e muito, dessa fase. Mesmo que ele, como narrador adulto, diga frequentemente “você já tem 29 anos!”, ainda fica a estranha sensação de que o anime não sabe quem exatamente Satoru é.

Como regra geral para a vida, tente não se apaixonar por meninas que não tiveram a primeira menstruação ainda. Sobretudo se você já tem VINTE E NOVE FODENDOS E RECHONCHUDOS ANOS. #fikadika

EFEITO BORBOLETA – PEDOBEAR EDITION

Preso de volta em 1988 (é realmente divertido ver os coleguinhas de Satoru comentando sobre o lançamento do último Dragon Quest, ou sobre o episódio final de Black Kamen Rider), Satoru decide que vai fazer o que pode para impedir que os eventos de 2006 (quando ele foi acusado de um crime que não cometeu) se repitam. E isso começa pela série de sequestros seguidos de morte de três crianças da sua escola. A ligação entre as duas coisas não me pareceu nem um pouco clara. Acho que teria sido melhor Satoru só dizer que queria ajudar as crianças que vão morrer porque… bem, você não precisa realmente de um motivo para evitar que alguém seja sequestrado e morto, né?

Sabendo o que vai acontecer, Satoru se aproxima da primeira vitima: Kayo Hinazuki, a menina que sofre violência doméstica da mãe. Aqui é onde as coisas começam a ficar desconfortavelmente estranhas, porque rola um romance leve entre Kayo e Satoru… Só que ele é um cara de 29 anos e ela é uma criança de 11! Embora ela não dê muita bola para ele a principio, é óbvio que ele fica caidinho pela menina. Uatdafãqui, Japão?

De toda forma, é aqui que entra o efeito borboleta da coisa: Satoru se aproveita de informações do futuro para salvar a vida de Kayo (e assim alterar o seu futuro… de alguma forma…), mas primeiro ele tem que salva-la da própria mãe. Para minha grande surpresa, esse sim é o verdadeiro coração do anime. Toda coisa de viagem no tempo, o mistério de descobrir quem foi (ou será, no caso) o serial killer que sequestrou e matou as crianças, tudo isso é até certo ponto dispensável no anime. Todas as cenas de 2006 são dispensáveis, na verdade. Se o anime fosse só sobre Satoru de 11 anos tentando ajudar uma menina que apanha mais em casa que mala velha, ainda manteria sua essência (e não seria desconfortavelmente pedófilo também).

O drama familiar de Kayo é o que ocupa a porção central do anime, e tem algumas cenas verdadeiramente tocantes aí, como quando a mãe de Satoru prepara café da manhã para ela, e a menina desata a chorar porque a sua própria mãe nunca havia feito nada do tipo para ela.

Enquanto está ajudando Kayo a terminar o primário com todos os dentes na boca, Satoru também quer impedir que ela seja sequestrada novamente (ou pela primeira vez – viagens no tempo são confusas). Eu não consigo deixar de achar engraçada essa parte porque, sabendo que tem um serial killer à espreita, Satoru passa a agir de uma forma bastante incomum para um japonês: se preocupa que a menina saia a noite, evita que ela fique sozinha em lugares desertos, ou pegue “atalhos” por regiões pouco recomendadas e etc.

Ou seja, é exatamente a forma como nós vivemos no Brasil o tempo todo. Só que no anime isso só acontece porque ele sabe que tem um serial killer louco à solta. Aqui nós aceitamos de boa como se fosse uma realidade imutável da vida. Que bosta, né?

Apesar do leve romance do nosso viajante do tempo com uma criança (really…), essa é a parte boa do anime. A parte ruim é, bem, todo o resto…

Você está procurando um serial killer de crianças e então, ao abrir o porta-luvas do carro do cara, cai uma caralhada de balas. O que isso pode significar? Bem, para Satoru (que veio de 2006, então não tem nem a desculpa da inocência dos anos 80)… absolutamente nada.

AGATHA CHRISTIE SE REVIRA NO TÚMULO

Para começar, tem o problema do mistério de quem é o futuro (ou passado) serial killer de crianças. Ora, o anime começa com apenas dois personagens como potenciais suspeitos e, antes da metade, você já consegue riscar um da lista. Ou seja, é um “mistério” que só tem um suspeito! WTF Bátima, como é que pode uma porra dessas? Mas aí não, meu afro-descendente, não faz assim comigo que o meu kokoro não aguenta!

Eu até pensei “não, não pode ser esse cara”, porque era óbvio demais. Com certeza o anime iria puxar da manga uma solução esperta e puxar o meu tapete na última hora, certo? Bem, não. O serial killer é mesmo o único suspeito possível de ter cometido (ou vir a cometer) aqueles crimes. Porra, ae tu me fode o meio de campo sem direito nem a beijinho!

E TEMOS O PROBLEMA DO ELENCO TAMBÉM

A coisa que realmente complica o anime é que o elenco de personagens não age de acordo com sua idade. Ok, Satoru é (embora só pareça às vezes) um adulto no corpo de criança… Só que todas as outras crianças do anime agem igualzinho aos adultos também. Então qual é o ponto?

Kayo é bastante simpatizável devido aos problemas domésticos que ela enfrenta, mas isso é até onde se pode elogiar o elenco de apoio. Os vilões do anime (o serial killer e a mãe de Kayo, que desce a havaiana de pau no lombo da menina) são unidimensionalmente maus, sem motivo nenhum ou qualidades redentoras. Fazer vilões que são maus como pica-paus apenas porque sim não funciona, a menos que você abrace a tosquice com toda força do seu ser e faça um vilão hilariamente mau, como o Dio. Mas eu desconfio que eles não estavam mirando na comédia aqui, então posso dizer com 100% de certeza que não funcionou.

“Espere jovem! Só porque alguém foi retardado o suficiente para construir uma portinha para suicidas em cadeiras de rodas no terraço você não é obrigado a usa-la!”

DE BOAS INTENÇÕES…

O anime tem boas ideias que nunca são realmente exploradas. Voltar no tempo com os conhecimentos do futuro para alterar os eventos é algo que pode ser muito interessante, mas aqui foi simplesmente jogado de lado. Tirando que Satoru sabe quem vai morrer e quando, não há diferença prática nenhuma se não houvesse nada disso e ele fosse só uma criança comum da sua idade. Tem tanto potencial aí desperdiçado que chega a doer.

O mistério também não funciona (COM UM ÚNICO FUCKING SUSPEITO, NÉ?), o arco final tem uma cena de resolução com tanta coisa errada que parece que foi dirigida pelo Shayamalan, sendo que o que salva o anime é a parte sobre a menina e a violência doméstica. De boas, o anime podia esquecer tudo isso de viagem no tempo e serial killer, e ser só sobre um menino tentando ajudar uma coleguinha com problemas em casa, porque isso ele faz satisfatoriamente bem.

Só que infelizmente não é.

Fonte: [ANIMES] ERASED (ou a versão pedófila de Efeito Borboleta) | NERD GEEK FEELINGS

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Publicado às 10/03/2017 por em Cinematofilia e marcado , .

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