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Horizon Zero Dawn | Crítica [Omelete]

Quem diria que a Guerrilla Games tinha a capacidade de fazer um jogo como esse? A franquia Killzone é competente, mas o estúdio holandês nunca chegou no nível dos outros times prestigiados da Sony, como Naughty DogSucker Punch Santa Monica. Agora, isso mudou para sempre.

Com Horizon Zero Dawn, a Guerrilla não só construiu um dos melhores jogos do PlayStation 4, como também um dos melhores RPGs dessa geração. Recheado de cenários fantásticos, mecânicas cativantes que vão te prender por dezenas de horas sem fim, um mundo único dentro dos videogames e uma das protagonistas mais competentes e interessantes dos últimos 15 anos, Horizon é algo verdadeiramente especial, e o primeiro grande favorito aos prêmios de Jogo do Ano de 2017.

Horizon Zero Dawn se passa num futuro distante onde um evento apocalíptico misterioso detonou o planeta. Agora, a humanidade está voltando a se desenvolver. Uma espécie de nova era do bronze está começando, mas agora com tecnologia servindo como o principal instrumento. Há aparelhos e equipamentos tremendamente avançados no mundo, graças a presença de criaturas robóticas gigantes espalhadas pelo mapa, mas usá-las é algo que excede o entendimento da maioria dos personagens do jogo, e para piorar, as máquinas estão ficando cada vez mais agressivas.

O Fantástico Mundo de Aloy

É nesse contexto que conhecemos e tomamos controle de Aloy. Uma jovem de 19 anos sem pai e sem mãe, considerada como uma maldição por sua vila. Ninguém sabe de onde ela veio, quem são seus pais, ou qual sua conexão com os eventos que estão acontecendo no resto do mundo. Rapidamente, Horizon apresenta uma tonelada de perguntas que devem ser respondidas jogando dezenas de horas e concluindo quests e missões em áreas dos mais diferentes tipo. Dos grandes cânions às florestas densas, passando pela tundra e montanhas geladas, a Guerrilla Games criou um dos ambientes mais fantásticos que o PlayStation 4 pode oferecer.

As perguntas oferecidas pelo roteiro são um grande gancho porque fica claro que em nenhum momento a Guerrilla vai nos apresentar um personagem que dê todas as respostas. É preciso explorar, avançar na história, procurar e ser curioso. A natureza misteriosa de Horizon funciona bem como combustível para incentivar a exploração dentro e fora do caminho principal principal.

Nesse jogo, obter colecionáveis, ler jornais e ouvir diários de áudio é algo instrumental para entender a profundidade e complexidade do evento apocalíptico que causou o fim do mundo, as razões pelas quais ele aconteceu e como a humanidade conseguiu se reerguer depois. Pela primeira vez, eu quis encontrar cada objeto que pudesse contribuir para a narrativa ambiental do RPG, já que entender tudo que ocorreu rapidamente se tornou uma das minhas maiores motivações.

Além disso, o enredo de Horizon se desenrola de formas interessantes e inesperadas. Se você está preocupado achando que esse jogo será apenas mais uma história pós-apocalíptica com robôs e uma inteligência artificial, boas notícias. A Guerrilla foge de praticamente qualquer cliché e segue rotas inesperadas com conceitos novos para o gênero de ficção científica distópica. É um crime entrar em detalhes das respostas para as grandes perguntas desse jogo, mas vale a pena procurá-las.

Mas se as perguntas são a razão pela qual você entra em Horizon, Aloy é o que te faz ficar. A personagem é uma das melhores heroínas já feitas em games. Não há sexualização desnecessária, ela não é forte simplesmente para ser forte, e nem é uma menina perfeita que nunca comete erros. Aloy tem falhas e desejos, e sua força vem não porque os desenvolvedores determinaram que ela precisa ser assim, mas porque enquanto jogamos vemos o seu crescimento físico, intelectual e emocional. Depois de eliminar dezenas de Sawtooths Thunderjaws, máquinas perigosas, depois de lidar com maníacos e reis, faz sentido a protagonista ter coragem de ser independente, falar o que precisa ser dito e liderar nas horas duras.

Felizmente, a Guerrilla não confunde a ideia de uma boa protagonista com alguém que é impecável em tudo que faz. Aloy erra, perde batalhas, muitas vezes esquece do resto do mundo para buscar suas vontades e objetivos. São falhas fundamentais como essas que a tornam real. Ela não é simplesmente um avatar, mas sim uma protagonista que merece ficar lado a lado com grandes ícones do PlayStation, como Nathan Drake e Joel. Vê-la superar seus erros e entender seu lugar no mundo foi a grande recompensa de completar essa história.

O mundo e a mitologia que cercam Aloy também contribuem A ideia de um futuro pós-pós-apocalíptico é algo não muito explorado na ficção e é interessante ver uma mistura de pré-história com futuro nas sociedades que encontramos. Os guerreiros usam armaduras feitas de metal de robôs avançados, mas suas principais armas são flechas e lanças. A tecnologia é interpretada como algo sobrenatural – inteligências artificiais são consideradas deuses, robôs que infectam outras máquinas são demônios – e ver as diferentes formas de interação dos personagens com os conceitos avançados que eles encontram rende momentos fascinantes.

Ao mesmo tempo, há uma grande instabilidade política no mundo. Zero Dawn se passa logo depois de uma grande guerra civil que dividiu o principal reino da região. Crenças opostas, facções e vilas agora estão em alerta por conta da presença de uma ceita perigosa chamada Eclipse. Horizon não comete o erro de ligar tudo e todos à história de Aloy, às máquinas e aos mistérios da antiga civilização e do que aconteceu com ela. O jogo apresenta um grupo variado e colorido de personagens com motivações, personalidades e problemas diferentes. Ajudá-los (ou enfrentá-los) garante uma série de quests interessantes que servem como um bom adicional para a ótima história principal. Entretanto, a Guerrilla não é a CD Projekt Red, então pode ter certeza que algumas missões secundárias serão coisas que você sempre espera num RPG, do tipo “busque o item/pessoa X no local Y e traga para mim”.

Gatas se amarram em robôs gigantes

Este mundo e as criaturas que habitam nele são apresentados de forma impressionante. Horizon é provavelmente o jogo mais bonito dessa geração – ele não deve nada a Uncharted 4 Witcher 3 – e não só porque as texturas, iluminação e modelagem são incrivelmente avançadas (e elas são), mas porque a direção de arte e design de personagens, cidades e criaturas é primorosa. Esse é mais um daqueles games que servem para mostrar como a indústria avançou no campo visual ao longo dos anos.

Além de serem visualmente impressionantes, os robôs também são o melhor aspecto do gameplay de Horizon. É na jogabilidade que a Guerrilla mostra alguns dos seus limites. Você não vai encontrar aqui o nível de liberdade para jogar que Fallout apresenta, ou a customização absurda de um Elder Scrolls. Há níveis, pontos de habilidade, skills, armas e equipamento para construir e modificar, e por aí vai. Mecanicamente, Zero Dawn não traz nada muito novo, exceto na caçada às máquinas.

Assim como encontrar um monstro poderoso em Witcher, Horizon Zero Dawn é recheado de encontros sensacionais com criaturas fortes e ameaçadoras. Batalhar as máquinas é um jogo de estratégia em tempo real, mas em miniatura. É preciso microgerenciar diversos fatores durante a batalha, e é exatamente isso que as torna divertidas. Você não precisa se preocupar em equipar uma magia específica ou preparar uma poção especial, tudo que é necessário para abater gigantes como o Stormbird Behemoth é sabedoria e pensamento rápido quando o combate já começou. As lutas deste RPG são um jogo de xadrez em alta velocidade, uma dança entre uma mortal e um titã eletrônico que muda com cada tipo de adversário.

Em termos de mecânica, é aqui que Horizon brilha. Não só porque é nas batalhas que se encontra bons usos para as variadas armas e habilidades à disposição de Aloy, mas porque são elas que constroem a lenda de quem ela é. Conforme o tempo passa, os feitos da protagonista inspiram confiança nela e admiração, reconhecimento ou raiva nos outros personagens. O mundo de Horizon e a personalidade de Aloy reagem ao que você faz no gameplay, especialmente quando um inimigo enorme é abatido. Infelizmente, essa reação não acontece de forma dinâmica, como por exemplo em Shadow of Mordor, mas ainda assim, a Guerrilla conecta bem a história e o gameplay.

Outros aspectos do gameplay, como a mecânica de escalar, o combate à curta distância e a habilidade de cavalgar em alguns robôs, deixam a desejar. O principal ponto fraco da jogabilidade, entretanto, é o confronto com humanos. A inteligência artificial é fraquíssima e eles não oferecem uma grande dificuldade. Alguns inimigos podem ter muito HP e demoram para cair, mas eles são uma pedra no sapato, não um obstáculo para superar. Mas tirando isso Horizon é competente em tudo que faz. O uso de stealth aqui é instrumental e jogadores inteligentes vão ter um sentimento recompensador ao eliminarem uma base de bandidos ou um campo infestados por robôs usando armadilhas, flechas diferentes e ataques furtivos.

O começo de algo grande

Horizon Zero Dawn é o princípio de algo especial para a Sony. Esse jogo automaticamente cria uma franquia que dará bons frutos para o PlayStation – sem spoilers, mas há uma cena pós-créditos que prepara uma continuação promissora – e Aloy se tornará um dos principais ícones da marca japonesa de games. Para completar, a contratação de veteranos do mundo de RPGs e o trabalho colocado aqui vão elevar a Guerrilla Games para a primeira divisão dos estúdios AAA da atualidade.

Foram dezenas de horas para terminar Horizon – a campanha dura mais ou menos 30 horas, combinando a história com um bom número de missões secundárias – e eu não consigo parar de pensar no jogo, em Aloy e no mundo que ela habita. As descobertas que eu e ela fizemos nessa jornada foram fascinantes e é impossível não continuar se perguntando quais outros segredos ainda me aguardam. Há máquinas para descobrir, áreas do mapa para explorar e cidades para defender.

O maior feito de Horizon Zero Dawn é esse. Ao jogá-lo, desvendar seus mistérios e conhecer seu mundo, é inevitável herdar a curiosidade que movimenta Aloy. Ela te cativa e motiva a enfrentar o próximo robô, concluir o próximo quest, explorar a próxima sala. A busca por respostas tem que continuar.

Horizon Zero Dawn é exclusivo de PlayStation 4 e foi testado num PlayStation 4 normal. Clique no nome da plataforma para ver o preço da versão digital do jogo.

Leia mais sobre Horizon Zero Dawn

Nota do crítico (EXCELENTE)

Fonte: Horizon Zero Dawn | Crítica | Omelete

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Publicado às 24/02/2017 por em Games e marcado .

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