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Logan | Crítica [Omelete]

Os X-Men foram centrais na renascença dos filmes de super-heróis e sua ebulição, que dura até hoje sem sinais de cansaço. Desde então, a superequipe da Marvel passou por uma expressiva alternância qualitativa em seus filmes. Nesses mais de 15 anos nas telas, somando tanto ótimas adaptações como momentos vexaminosos, o Wolverine de Hugh Jackman esteve em quase todos… do topo aos porões de um gráfico irregular que enlouquece fãs, estúdio e o próprio ator na mesma proporção.

Pergunte a um leitor da era de ouro dos X-Men – de Claremont/Byrne -, porém, e ele não deve sequer piscar antes de afirmar que o Wolverine dos quadrinhos jamais foi visto de verdade em qualquer um desses momentos diante das câmeras. Mas deixemos de lado a estatura, a ausência do uniforme ou o visual peludo e nada atraente… no cinema o grande público sempre quis galãs e Jackman certamente conseguiu com seu carisma superar essas críticas dos fãs. O Wolverine “moleque”, aquele melhor naquilo que faz, sempre foi acompanhado de doses cavalares de violência e gore. Seus poderes e recursos são dignos de um matadouro, afinal, e não raro saiu banhado de sangue nos quadrinhos.

Logan, o terceiro longa solo do mutante da Marvel, enfim dá aos fãs esse Wolverine adulto. Depois do razoável Wolverine: Imortal, Jackman e o diretor James Mangold reuniram-se para se despedir do personagem em um último filme protagonizado pelo ator, facilitado graças ao sucesso imprevisto de Deadpool, o maior e mais lucrativo filme da franquia X-Men. 

Depois de se inspirarem na fase de Frank Miller com o anti-herói em Imortal, Mangold e Jackman buscam referências em uma HQ mais recente de Mark Millar (Guerra Civil e Kick Ass) e Steve McNiven, O Velho Logan. Dessa história de estrada – em que o mutante, envelhecido e debilitado, cruza os Estados Unidos em um cenário pós-apocalíptico em que vilões excêntricos dominaram o país para ajudar um velho aliado a entregar um pacote ilegal – porém, o roteiro de Logan aproveita apenas o estado de Wolverine e a ideia de um futuro distópico. Os roteiristas Michael Green e David James Kelly somam a essa ambientação algumas ideias muito mais coerentes dentro do universo X criado no cinema e algumas já exploradas nos quadrinhos. Em um futuro não muito distante, os mutantes deixaram de nascer e os poucos restantes são perseguidos pelo governo. A ideia tem paralelo com Dias de Um Futuro Esquecido e as inúmeras ocasiões em que mutantes foram extintos – ou quase isso – no universo Marvel. No meio disso tudo, é apresentada a ideia de clonagem nesse universo… outra constante das páginas.

Mas as semelhanças com os quadrinhos terminam aí. Pela temática, estética, tom decadente e sombrio e pessimismo, Logan parece mais inspirado em filmes como Filhos da Esperança. Até na relação entre Logan e Charles Xavier (Patrick Stewart) o longa encontra paralelo na ligação dos personagens de Clive Owen e Michael Caine na obra de Alfonso Cuarón. O resultado desse mix de referências é memorável. 

Mestre e pupilo encontram-se juntos por uma última missão – impedir que a misteriosa menina Laura (Dafne Keen, formidável) caia nas mãos de um grupo paramilitar liderado pelo ciborgue Donald Price (Boyd Holbrook). Na ligação dos três temos momentos que alguns fãs ansiavam mais do que ver Wolverine mergulhado em sangue e vísceras. É no estabelecimento da família X-Men que Logan realmente triunfa, nessa relação paternal entre Charles e Logan. E os dois atores estão formidáveis aqui. Maquiados à beira do irreconhecível, velhos e cansados, Jackman e Stewart fazem o melhor trabalho como esses personagens desde que iniciaram essa jornada. O filme equilibra excepcionalmente bem esses momentos com as explosões de ação e fúria, preparando o terreno para uma continuidade promissora e libertadora das amarras do confuso cânone estabelecido do universo X-Men nos cinemas.

Fica a certeza, porém, que Logan – ainda que reverencie o tempo todo com idolatria sua origem nos quadrinhos – poderia ter sido mais “heróico”. Não fossem as garras e poderes, o filme passaria muito bem como um drama de ação desligado desse legado de mais de 50 anos dos Filhos do Átomo. Ao ancorá-lo em um suposto realismo, buscando o Wolverine adulto que os fãs esperavam havia anos e sem explorar de verdade o potencial de vilões como Pierce e os Carniceiros, Mangold e Jackman desprivilegiam outro aspecto do personagem que era desejado… o super-herói clássico, que mais uma vez é deixado no imaginário – em conversas sobre o passado e o que ficou para trás. Fica a vontade de ver o Wolverine “Animal Ferido” (formidável HQ de 1986 que caberia perfeitamente aqui), já que essa é supostamente a última vez que teremos Jackman no papel. Ainda que seja um drama de ação excelente, falta a Logan a cara-de-pau de ser um filme de super-herói excelente. Mas ao menos, enfim, sentimos de verdade a família e temos cabeças rolando. E que falta fizeram essas cabeças nesses 17 anos desde o primeiro X-Men.

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Nota do crítico (ÓTIMO)

Fonte: Logan | Crítica | Omelete

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Publicado às 20/02/2017 por em Cinematofilia e marcado .

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